Um conjunto de blogueiros chilenos lançou uma carta aberta dirigida aos políticos que disputam o governo de seu país. O segundo turno da eleição nacional ocorre por lá ainda em janeiro de 2010. É uma eleição importante, porque escolherá o governo que conduzirá o Chile em seu bicentenário.
Essa carta, que merece tradução integral (eu fiz apenas traduções de trechos que me chamaram atenção), tem o sugestivo título “O futuro do Chile ou será digital ou não será”. Cheguei a ela por meio do blog Cultura Digital, do ativista de Viña del Mar, Pedro Huichalaf Roa.
A carta é bastante genérica, mas pontua questões fundamentais sobre a democracia e o futuro dos países latino-americanos. Vale conhecer.
“Cremos que a tarefa prioritária para o Chile nos próximos dez anos é converter-se em parte ativa da sociedade do conhecimento, com contribuição e nossa riqueza e diversidade cultural. Para fazer isso, temos as ferramentas ao nosso alcance, mas precisamos aprender a utilizá-las criativamente. Nossa oferta educacional deve olhar as competências digitais e visão crítica das novas gerações como oportunidade e não como ameaça, para construir uma proposta de qualidade que considere as habilidade do século 21 como questão central do currículo do Chile de hoje”, escrevem.
O texto é assinado por Enzo Abbagliati, Patricio Astorga, Alejandro Barros, Hugo Martínez, Paulo Saavedra, Marco A. Zúñiga. Eles se inspiraram na Carta Aberta ao Futuro Presidente, publicada em quatro blogs espanhóis em março de 2008, e na Carta Aberta a Políticos e Candidatos 2.0, escrita pelo chileno Paulo Saavedra em abril de 2008.
“Subimos muito tarde no trem da revolução industrial, mas não percamos essa nova oportunidade. E esta oportunidade é necessariamente digital. Seja qual for o modelo de desenvolvimento, a visão de longo prazo, o sonho de país que tenhamos, a dimensão digital estará em seu centro. Mas, aqueles que assinam esta carta buscam, sobretudo, a possibilidade de construir um Chile com um acesso mais equitativo às oportunidades, e é, quem sabe, aí onde a tecnologia exerce seu papel mais transformador, ao democratizar de maneira radical o acesso às fontes de informação, de conhecimento, de criação de valor e de desenvolvimento pessoal”.
O Chile é um país interessante. Viveu a experiência revolucionária mais fascinante das Américas depois da revolução Cubana, e tornou-se, por isso mesmo, terra da mais feroz e assassina das ditaduras que o continente conheceu.
Também foi balão de ensaio do neoliberalismo, antecipando em seu território, durante a década de 70, ações de desregulamentação e de submissão aos interesses do mercado que só seriam efetivamente postas em prática no resto do mundo a partir de meados dos anos 80 e, com maior ênfase, nos anos 90.
Na atual eleição, a direita parece levar vantagem contra a coalizão que governa o país desde 2000, com Ricardo Lagos e Michele Bacheleti à frente. Não dá para dizer que o atual grupo seja uma “coalização de esquerda”. De certa forma, os verdadeiros lutadores chilenos foram dizimados no período de Pinochet.
Vale, porém, acompanhar a reação dos candidatos a essa missiva que procura apresentar um novo caminho para o país. E fica desde já a ideia de construirmos, colaborativamente, aqui no Trezentos, documento semelhante para a disputa que rolará no Brasil.
Saiba mais sobre o movimento chileno no blog Chile Digital.
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