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Cibercultura 10+10

Cibercultura 10+10

À beira-mar, na praia de São Conrado, na varanda de Gilberto Gil, uma conversa sobre o futuro das redes. Tarde de sábado. Dia de sol. Pierre Lévy chega atrasado. Em volta da mesa, esperam-no Gil, o anfitrião e ex-ministro, Cláudio Prado, seu fiel escudeiro e o agitador da cultura digital brasileira, o professor Laymert Garcia dos Santos, o doutorando Chico Caminatti, o realizador multimídia Paulo Fehlauer e este escriba.

O objetivo da conversa é amarrar um evento em comemoração aos 10 anos da edição brasileira do Cibercultura, do filósofo francês, livro seminal, obra de intervenção. Este evento, ideia de Prado, será realizado em outubro, em local a definir. Provavelmente Santos. Título: Cibercultura 10+10.

A conversa começa em francês. Prado propõe a adoção do inglês. O debate flui. Gil pergunta o que Levy acha de um manifesto em defesa do tombamento do Ciberespaço. Levy diz não entender muito bem. Acredita que a palavra tombamento produz uma sensação de imobilização. É impossível parar o que é essencialmente dinâmico. Laymert e Prado lembram as ameaças direcionadas pela indústria do entretenimento do século 20, pelos governos autoritários. Todos concordam. Fica em aberto a ideia de tombamento. Mas a proposta de se produzir um manifesto é bem recebida e o trabalho de redação ocorrerá de forma colaborativa, por meio de uma plataforma digital.

Veja um trecho do streaming do encontro que fiz pelo Qik:

Quem irá propor esse manifesto?

Gil tornou-se uma voz global em defesa da liberdade da rede. Laymert é um dos principais pensadores brasileiros contemporâneos e imprime em suas falas um sentido de urgência que nos conclama à luta. Cláudio é um ativista hippie que produz em seu caminhar laços entre a contracultura e a cibercultura, entre o tropicalismo e a cultura digital. Levy é um popstar no Brasil. No mundo, é menos relevante. Sua obra, talvez por ter sido amplamente traduzida por aqui, exerce grande influência em distintos setores. Há quem não goste. Há quem goste muito. O fato, no entanto, é que ele forja debates.

De volta à praia de São Conrado. À varanda. Levy está no Brasil para participar de eventos em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, convidado pela equipe da Globo.com.

Cláudio Prado explica que quer nesse evento também o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, uma das grandes lideranças do ciberativismo brasileiro e o professor André Lemos, orientando de Levy, que comanda os estudos de cibercultura na Universidade Federal da Bahia (UFBA), um centro de excelência do pensamento brasileiro. Também deve rolar uma oficina de criação interativa. A ideia é reunir realizadores digitais em uma oficina de criação coletiva.

Remix. Recombinação.

O evento será patrocinado pela CPFL Cultura. Está confirmado, segundo hoje me informaram. Mais notícias, nos próximos dias.

Essa ação é uma atividade do processo do Fórum da Cultura Digital Brasileira. É parte desse grande esforço de consolidar a liderança global do Brasil.

3 comentários em “Cibercultura 10+10”

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