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DIREITAS JÁ! E A LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO

Importante registrar a pesquisa Datafolha realizada nos protestos do dia 13 de março e do dia 15 de março. Em um momento de dispersão de pautas, entender as motivações gerais para se estar na rua é útil para desenvolvermos uma análise da conjuntura.

1. Sobre a sexta-feira, a pesquisa demonstra que os movimentos organizados mantém sua forma tradicional de manifestação. Ou seja, pautas bem direcionadas ao conjunto dos militantes, como a luta pelos direitos trabalhistas e em defesa da Petrobras. Mas é de se ressaltar o baixo número de manifestantes que disseram estar no ato para defender Dilma e o governo, ainda que a grande maioria tenha votado pela continuidade. Quem convive com os movimentos tradicionais sabe que a insatisfação com o governo é grande. Não só a classe média está incomodada…

2. Em relação ao domingo, fica evidente que foi uma marcha majoritariamente de classe média alta, com grande maioria de pessoas que vivem com renda familiar bem superior a 10 salários mínimos, de eleitores do Aécio, e que se considera anti-petista e anti-comunista (e acredita que o PT seja comunista). A bandeira principal é a corrupção, seletivamente atribuída ao governo federal e, em específico, a Dilma e a Lula. Lembremos que essa já era a tônica do segundo ciclo de junho, quando as pautas se dispersaram sob comando dos meios de comunicação de massa.

3. Destaque para a defesa do Impeachment da presidenta por apenas cerca de 25% dos manifestantes. Ou seja, mesmo com todo o barulho nos últimos dias, o Impeachment é uma tese minoritária. E também para a percepção da ampla maioria de que a democracia é o melhor sistema político, ainda que alguns saiam às ruas para defender uma intervenção militar. Nenhum partido, segundo o levantamento, consegue atrair a ampla adesão dos manifestantes (mesmo o PSDB é repudiado por cerca de 50% dos manifestantes), o que abre mesmo caminho para o surgimento de algo semelhante a um Tea Party Tupiniquim (a nova UDN).

4. Por esses e outros fatores, parece que o apelido de DIREITAS JÁ!, dado ao protesto deste domingo, que vi em postagem do Fábio “Bugre” Maleronka Ferron, é bastante adequado. Mais de 70% dos que estavam na Paulista jamais tinha participado de uma ação de rua. É o início de uma politização desses setores, com tudo aquilo que sabemos que a troca no espaço público propicia. Ainda é cedo para saber o que conseguirá orientar a atuação dessa força expressiva da classe média, e se terão fôlego em novos protestos, mas trata-se de um novo contexto nacional.

Neste link mais dados com a análise dos protestos de domingo: https://docs.google.com/file/d/0B_X0JJgtT4-RTG9Ja2R1b1FpdXc/edit?pli=1

* Na foto, manifestante empunha cartaz contra a corrupção durante os protestos de junho.

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