Pular para o conteúdo
Início » Sobre como a #REDE pensa a cultura

Sobre como a #REDE pensa a cultura

Fiz uma busca simples no manifesto da #REDE. Busquei a palavra cultura.

Ora, ninguém que quer enfrentar os novos tempos, o contemporâneo, deixaria de se debruçar sobre o papel da cultura na reorganização econômica, política e social planetária. Um número não facilmente quantificável de pensadores e escritores se debruçou sobre a atual fase do capitalismo, que alguns chegam a dizer, inclusive, que sofreu uma “virada cultural” (cultural turn). Se entendemos que estamos dentro da sociedade pós-industrial, esta que surge do colapso do fordismo e do modelo baseado em combustíveis fósseis, como enfrentar seus desafios sem atribuir papel central à cultura?

Pois bem. À pesquisa. Ao empirismo, portanto.

O que encontrei?

– O que há de menção à cultura que valha a pena está no tópico 4, da plataforma de ação política: fala em “valorização das diversas formas de manifestação cultural”. A sentença está no final de um raciocínio, que surge a partir da necessidade de “democratização da comunicação”.

E isso é tudo.

Fiz essa visualização no Many Eyes, uma árvore de palavras, e vejam o que ela revela:

Visualização da menção da palavra cultura no manifesto da #REDE

O texto fala em “cultura arraigada”, “cultura viciosa”, “cultura política”, e duas vezes em “cultura de paz”.

Não há mais nada sobre política de cultura, a não ser aquela que supracitei, que é uma menção indireta, ao “cultural”.

Nada sobre cultura como estratégia. Sobre cultura potencialidade. Sobre cultura como elemento de fortalecimento e base para um novo modelo de desenvolvimento.

Não vejo como pensar em alternativas para o Brasil contemporâneo sem falar em cultura. E o que era para ser novo, nasce velho. Alguém poderá dizer, mas a #REDE está em construção, o caminho está aberto a contribuições. Pode ser verdade. Mas para quem passou, como Marina e seu grupo, os últimos anos debruçado sobre o Brasil, não tratar da cultura em seu manifesto fundador consiste em sinal muito ruim.

1 comentário em “Sobre como a #REDE pensa a cultura”

  1. Rodrigo, em um país onde Diogo Mainardi se classifica como colunista de cultura, onde Merval Pereira é um imortal na Academia Brasileira de Letras, tudo pode ser classificado como cultura, e até é, pois cultura não tem uma aura de santa. Nós que temos um ranço escravocrata em função de quase quatro séculos de escravidão de Negros em um país de cinco séculos de existência, sem falar do massacre de milhões de índios, sabemos bem o que é a cultura nua e crua de nossas oligarquias. E é nesse ponto laranja que o sentido estrito do termo “REDE” pode ter significado um tanto quanto diferenciado.

    Digamos que Marina tenha se inspirado no Itaú Insights, num contato direto com Maria Alice Setúbal, sua inovação talvez seja a de organizar o espaço cibernético inspirada na estratégia de inovação do Banco Itaú. Talvez seja esta a sua programação; talvez seja esta a sua crença, a de usar a tecnologia para fazer a diferença. Convenhamos! É uma zona de conforto, defender ideias verdes sem questionar o laranja do Itaú, principalmente se pensarmos no Itaú Cultural.

    E essa experiência viva, e põe viva nisso! Sobretudo no ano em que o Itaú Personalité vem patrocinando concertos na Savassi, no Leblon, no Iguatemi, Marina provavelmente consultou a diretora de marketing de negócios do Itaú-Unibanco para lançar o seu “BIS”, o Banco de Ideias Sustentáveis que traz um mimoso slogan, “todo dia é dia de ideia sustentável”.

    No meio dessa cartilha há um detalhe que diz, “toda ideia precisa de um começo” e, seguindo o ramerrão corporativo, a cartilha ensina o seguinte: “existem muitas técnicas, truques e dicas pra você estimular a sua criatividade, e termina com o mesmo vazio da entrevista de Marina no Roda Viva… “Grandes ideias sempre encontram quem está a sua procura”.

    Então é isso. As ferramentas que Marina vem oferecendo ao seu voluntariado é o transporte ao local desejado de cada um. E o que mesmo isso significa? Nada, absolutamente nada. Mas serve de inspiração para outros potenciais sacerdotes do encontro proposto entre charlatanismo e celebralismo. O resultado é, o virtualismo exótico.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *