Supõe que sou um tipo nostálgico, desses que acreditam que só nos anos 60 do século passado a balada era a boa, a grama verde e o sol dourado;
Supõe que sou um tipo fascinado pelos velhos festivais, organizados colaborativamente, como rolava na Inglaterra desbundada (Ilha de Wight) ou nos Estados Unidos doidão (Woodstock);
Supõe que sou um tipo encantado com o papel do artista engajado, como Gil, Chico e Caetano, que não se recusavam a subir gratuitamente num palco para manifestar suas posições em relação ao mundo;
Supõe que sou um tipo bem de esquerda, que acredita na capacidade de construir, de baixo pra cima, processos auto-gestionados, articulados com consciência por seres que se consideram livres;
Supõe que sou um tipo espiritualista, que vislumbra no aprofundamento da consciência individual o caminho para a articulação das verdadeiras revoluções;
Supõe que sou um tipo crédulo no amor livre, na possibilidade de usar meu corpo sem inibição, e que quer conviver com outros que também sentem assim;
Supõe que sou um tipo que curte expandir a consciência, cultuar formas de acessar informações qualificadas que estão escondidas em caixas fechadas do cérebro-máquina;
Supõe que sou um tipo que não gosta de proibições, que quer poder andar livremente pela cidade, que acredita que as ruas são feitas paras as pessoas se encontrarem, conviverem, dançarem e amarem;
Supõe que sou um tipo que vive numa cidade que tinha uma praça abandonada na região central e que essa praça, mesmo abandonada, virou ponto de encontro.
Supõe que essa praça, outrora abandonada, ágora reformada, foi ocupada por uma multidão e essa multidão resolveu dar a ela um outro nome;
Supõe que essa praça virou palco de jovens artistas engajados, que subiram num palco simples, no meio de uma tarde de domingo, em um festival auto-organizado, com gente de toda a cidade, para declarar que o amor está vivo, e que ele pode transformar nossas vidas individuais e os nosso projetos coletivos;
Supõe que estamos em 2012, já na segunda década do século 21, que as pessoas estão conectadas por redes e dispositivos digitais e que essas tecnologias fortalecem a possibilidade de acelerar as relações e os processos políticos;
Supõe. Apenas supõe.
Imagem: Rafael Mantarro
A diferença, meu caro Marcio Vasconcelos, é que o mensalão do PT, foi para aprovar leis e projetos que beneficiaram os menos favorecidos. Exatamente por isto, este julgamento tornou-se um caso inédito no Brasil. E, como há uma necessidade de vingança por tudo o que aconteceu, isto é, o fato de termos hoje, após o mensalão PTista, um número incomparável a mais de pessoas pobres cursando faculdades, possuindo carros, comida, viajando + e não se submetendo a quaisquer salários, vez que, não há mais os altos índices de desemprego daquele passado não muito distante; aí eles, os donos do poder midiático e econômico, repetiram e marcaram, de forma milimetricamente calculadas, as sentenças de criminalização ao PT, bem ao longo do período eleitoral. Um escandaloso e escancarado artifício para favorecer os partidos que só estendem suas mãos para os + ricos.
Crimes incomparavelmente mais graves, foram as privatarias DEMoTUCANAS, onde só a Vale do Rio Doce, no 1º ano após a “venda”, obteve um lucro equiparável ao tal valor da “venda”. Privatarias estas, por sinal, patrocinadas pelo BNDS. Porém, como estas coisas foram para agradar os arquimilionários, nacionais e internacionais, não precisam ser comentadas pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista), nem muito menos, condenadas pela nossa, Suprema Corte das Injustiças…
Ni!
Supõe que, com todas esssas suposições, se não será fácil transformar a cidade, vai ser muito divertido!!
Sem dúvida, Alê…é essa a aposta…e o lance é não facilitar pra ninguém, e seguir pedindo tudo…