Leio hoje a matéria do Estadão sobre o cancelamento da edição deste ano da Jornada Literária de Passo Fundo, uma das mais importantes iniciativas de formação de leitores do nosso país. A jornada ocorre desde 1981. Este ano seria ano, mas não vai ocorrer. Não conseguiram levantar os recursos necessários via lei de incentivo, não tiveram apoio nem estadual nem federal.
Vejam essa entrevista da professora Tânia Rösing realizada em 2010 para o projeto Produção Cultural no Brasil, que desenvolvemos na Casa da Cultura Digital.
Reparem na sua persistência para realizar a cada dois anos esse monumento à cultura nacional que ela construiu. A pátria educadora jamais será atingida sem a aliança estrutural entre educação e cultura. Diria que o ministro Renato Janine Ribeiro, que já esteve em Passo Fundo, creio mais de uma vez, poderia intervir de alguma forma.
Reparem também no que diz Tânia, em trecho que trata da relação entre as empresas brasileiras e a crise do capitalismo internacional, aguçada em 2008.
“As empresas em geral fogem do seu compromisso com a Lei Rouanet”, como ela diz.
Alegam agora, outra vez, que há uma crise, como já o fizeram em outras ocasiões, mas os seus lucros, vemos pelos balanços, seguem preservados.
Anunciam com dinheiro público quando o céu é de brigadeiro. Diante de qualquer instabilidade, orientam o departamento de marketing a simplesmente dizer não. E tudo de cultural que, infelizmente, está associado a esse modelo pernicioso desmorona. Uma lástima.