Reposto aqui o texto que escrevi no meu perfil do Facebook. Espero que seja o último escrito por lá.
Há alguns anos o Roberto Taddei criou uma campanha que se chamava “Troque seu Orkut por um Blog”. Nas nossas discussões sobre cultura digital, antevíamos o mal que as ferramentas privadas de redes sociais poderiam fazer à web. Queríamos um modelo federado, aberto, integrando bancos de dados pessoais com respeito à privacidade e gestão cidadã, inspirado no P2P e no compartilhamento real. Veio o oposto. Um modelo ultra-centralizado, que draga informações e rapta nossos conteúdos pessoais.
O Facebook é o exemplo mais avançado disso. Todos acabamos sucumbindo à plataforma do Zuckerberg, que colonizou nossa internet, e a emburreceu (também maximizou os efeitos da mídia pós-massiva). Já não é incomum conhecer gente que nem sequer usa outro tipo de aplicação no browser (o que é mesmo um navegador, tio?) ou recebe naturalmente ligações de empresas de telefonia informando que não vão nos cobrar pelo uso do Facebook no pacote de dados (hein? Neutralidade?).
O Jose Murilo, que sempre entendeu muito desses (des)caminhos, vez ou outra me provocava sobre textos mais longos publicados naquela prisão virtual (como este, talvez?). Lembrava a campanha do Bob e me estimulava a repensar essa escolha. Fazia, portanto, muito tempo que estava para recriar meu blog (o primeiro que tive foi em parceria com o Andre Deak e os demais amigos do Coletivo EmCrise, lá por 2000 ou 2001). Estou ainda fazendo um inventário, buscando textos antigos, reorganizando meu próprio acervo.
Tudo que escrevi à época de minha primeira passagem pelo Estadão, por exemplo, de 2000 a 2001, sumiu (o banco de dados foi apagado). Eu posso rever os pergaminhos do mar morto, mas não minhas resenhas musicais do início do século 21 (conhecimento? Mesmo?).
Enfim, tudo isso só para convidá-los a passear por este velho brinquedo. Estou em paz em ser retrô nesse aspecto. Acho que é hora mesmo de desacelerar. Mas esse é um outro papo. Já dianto que os textos longos, agora, vão ser postados aqui. No Facebook eu apenas postarei links com parcos comentários. Me alivia fazer isso. E sugiro que façam o mesmo.
Ora Viva!
Back to 2007, lá atrás imaginávamos que: “…(em 2008), no lugar dos ‘jardins murados’ para incapacitados, irão surgir kits de ferramentas abertas que permitirão a qualquer um, com alguns poucos e simples clicks, criar sua própria rede social, que será uma extensão das relações existentes na vida real”.
As ferramentas abertas surgiram, mas as fechadas capricharam na sedução, e é claro que erramos na previsão. Mas ainda acredito que ‘o tempo está do nosso lado‘. Não rolou em 2008, mas em um mundo pós-Snowden, depender de Facebook e que tais não parece uma postura inteligente.
O resgate de um fundador da causa, a esta altura, me parece um sinal positivo. Não estamos a desprezar a oportunidade de comunicação neste ‘jardim murado’ onde ‘está todo mundo’. Mas há uma dimensão do espaço público da rede que precisa ser, de fato, resgatado.
A ideia que expressávamos lá atrás era “troque facilidades (emburrecedoras) por autonomia inteligente“. Tal autonomia é criativa e ampla o suficiente para compreender também a volta ao papel. (Alô Roberto!! 🙂 ~ Mas creio que o blog segue como um bom modelo de unidade autônoma básica da cidadania online.
Ótimo tema, Rodrigo! Que bom tê-lo de volta. 🙂
Oi Rodrigo, que bom ler esse texto. Ao menos não estamos sozinhos….
Levei muita porrada por ter dado uma entrevista há alguns anos, na qual dizia mais ou menos isso…vindo lá do início do Facebook, quando eu ainda morava na Califórnia e não entendia como aquela coisa poderia atrair tanta gente…mas enfim…
o que disse está aqui:
http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4523&secao=396
abs e que a gente consiga se ler mais…e se ver mais…